sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
ESCOLA DOMINICAL - Conteúdo da Lição 5 - Revista da CPAD
Lição 5: Um
Homem de Deus em Depressão
Data: 3 de
Fevereiro de 2013
TEXTO ÁUREO
“Em tudo somos atribulados, mas não
angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados;
abatidos, mas não destruídos” (2 Co 4.8,9).
VERDADE PRÁTICA
Os conflitos de Elias o levaram a enfrentar
períodos de depressão e tristeza. Mas o Senhor ajudou-o superar.
LEITURA BÍBLICA EM
CLASSE
1 Reis 19.2-8.
2 - Então, Jezabel mandou um mensageiro a
Elias, a dizer-lhe: Assim me façam os deuses e outro tanto, se decerto amanhã a
estas horas não puser a tua vida como a de um deles.
3 - O que vendo ele, se levantou, e, para
escapar com vida, se foi, e veio a Berseba, que é de Judá, e deixou ali o seu
moço.
4 - E ele se foi ao deserto, caminho de um dia,
e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu em seu ânimo a morte e
disse: Já basta, ó SENHOR; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que
meus pais.
5 - E deitou-se e dormiu debaixo de um zimbro;
e eis que, então, um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come.
6 - E olhou, e eis que à sua cabeceira estava
um pão cozido sobre as brasas e uma botija de água; e comeu, e bebeu, e tornou a
deitar-se.
7 - E o anjo do Senhor tornou segunda vez, e o
tocou, e disse: Levanta-te e come, porque mui comprido te será o caminho.
8 - Levantou-se, pois, e comeu, e bebeu, e, com
a força daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o
monte de Deus.
INTRODUÇÃO
Muitas vezes ficamos tão fascinados com o
registro bíblico sobre homens e mulheres de Deus que acabamos esquecendo que
todos eram humanos! Passamos a enxergá-los como heróis e como tal acreditamos
que eles não tinham falhas. Todavia, a Escritura mostra os homens de Deus como
de fato são — homens fiéis, vigorosos, destemidos, corajosos e ousados — mas
ainda assim humanos.
Com Elias também foi assim. Ele foi um profeta
que deixou seu legado na história bíblica como um gigante espiritual. Um servo
de Deus de profunda convicção espiritual e consciente de sua missão profética.
Por causa disso enfrentou soberanos, falsos profetas e o coração de um povo
dividido. Isso deixou uma sobrecarga sobre ele, e foi isso que fez aflorar na
vida do profeta de Tisbe todo o seu lado humano, frágil e carente da ajuda
divina.
I. ELIAS — UM HOMEM COMO OS
OUTROS
1. Um homem
espiritual.
Elias era um homem espiritual e vários fatos
narrados nas Escrituras atestam essa verdade. Primeiramente, vemos Elias como um
profeta profundamente envolvido com a Palavra de Deus: “E que conforme a tua
palavra fiz todas estas coisas” (1 Rs 18.36). Em segundo lugar, o profeta de
Tisbe possuía uma profunda vida devocional. Ele era um homem de oração: “E Acabe
subiu a comer e a beber; mas Elias subiu ao cume do Carmelo, e se inclinou por
terra, e meteu o seu rosto entre os seus joelhos. E disse ao seu moço: Sobe
agora e olha para a banda do mar. E subiu, e olhou, e disse: Não há nada. Então,
disse ele: Torna lá sete vezes” (1 Rs 18.42,43). Elias conhecia os infinitos
recursos da oração!
2. Um homem
sentimental.
Mas Elias não era apenas um homem espiritual,
ele também era sentimental. O apóstolo Tiago afirma que: “Elias era homem
sujeito às mesmas paixões que nós e, orando, pediu que não chovesse, e, por três
anos e seis meses, não choveu sobre a terra” (Tg 5.17). Tiago diz duas coisas
importantíssimas sobre Elias que nós parecemos esquecer: primeiramente “Elias
era homem”. Elias foi um gigante espiritual, mas era homem! Não era um anjo! Em
segundo lugar, Elias possuía “as mesmas paixões”. Elias não era apenas
espiritual, era também sentimental! Alegrava-se, mas também se entristecia!
Talvez o que distingue Elias dos demais mortais é que ele não maquiava seus
sentimentos. Ele os punha para fora.
II. AS CAUSAS DOS CONFLITOS DE
ELIAS
1. Decepção.
O capítulo 18 do Primeiro Livro de Reis narra a
fantástica vitória que o profeta Elias obtivera sobre os profetas de Baal. O
Senhor havia respondido a oração do seu servo, enviando fogo do céu em resposta
à sua oração (1 Rs 18.38). O que Elias esperava em resposta a esse avivamento
era um total quebrantamento do povo, incluindo a casa real. Todavia, o
avivamento não alcançou as proporções desejadas. A casa de Acabe ficou
insensível. Jezabel mandou dizer a Elias, em tom de ameaça: “Assim me façam os
deuses e outro tanto, se decerto amanhã a estas horas não puser a tua vida como
a de um deles” (1 Rs 19.2). Parece que a vitória havia se convertido em derrota!
Sem dúvida, Elias havia ficado decepcionado, não com o seu Deus, mas com o
príncipe de seu povo!
2. Medo.
Diante da ameaça de morte sentenciada pela
rainha Jezabel, a reação de Elias foi imediata: “O que vendo ele, se levantou,
e, para escapar com vida, se foi, e veio a Berseba, que é de Judá, e deixou ali
o seu moço” (1 Rs 19.3). Elias teve medo e fugiu! O homem que havia confrontado
Acabe e os falsos profetas de Baal e Aserá, agora fugia temendo morrer pela mão
de uma mulher! Não devemos esquecer que Elias era um homem semelhante a nós e
sujeito aos mesmos sentimentos (Tg 5.17). Os gigantes também possuem seus
momentos de fraqueza! Não há dúvidas que aqui os sentimentos falaram mais alto
do que a fé!
III. AS CONSEQUÊNCIAS DOS
CONFLITOS
1. Fuga e isolamento.
O texto sagrado destaca a fuga do profeta Elias
(1 Rs 19.3). O homem de Deus que havia enfrentado situações tão adversas, agora
se vê impotente diante das ameaças de uma rainha pagã. Ele se viu sem
escapatória diante dessa nova situação e temeu por sua vida. Humanamente falando
era ficar e morrer. Devemos observar que o Senhor não recriminou Elias por isso;
nós também não devemos fazê-lo. Por outro lado, Elias não apenas fugiu; ele
também se isolou. “E ele se foi ao deserto” (1 Rs 19.4). Essa é a marca de uma
pessoa deprimida — ela busca o isolamento. Somos seres sociais e como tais, não
podemos viver no isolamento.
2. Autopiedade e desejo de
morrer.
Vemos ainda as marcas do comportamento
depressivo do profeta na sua atitude de autopiedade — um termo sinônimo para
autocomiseração, cunhado pelos psicólogos. Elias achava que somente ele ficara
como um servo fiel do Senhor: “Eu fiquei só” (1 Rs 19.10). Ele achava ainda que
todos haviam apostatado ou abandonado a fé. Não havia mais fiéis, somente ele.
Como o texto deixa claro, isso era ver a realidade de forma distorcida. Deus
possuía ainda seus sete mil (1 Rs 19.18). Mas Elias foi mais além — ele agora
queria morrer: “e pediu em seu ânimo a morte” (1 Rs 19.4). Os psicólogos
observam que este é o sintoma de uma pessoa com depressão profunda. Ela perde o
encanto pela vida. Elias, portanto, precisava urgentemente da ajuda do
Senhor.
IV. O SOCORRO DIVINO
1. Provisão
física.
O socorro do Senhor chegou até o profeta na
forma de provisão física e material: “E deitou-se e dormiu debaixo de um zimbro;
e eis que, então, um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come” (1 Rs 19.5).
Os psicólogos veem aqui um dos sintomas da depressão de Elias — a inapetência ou
alteração dos hábitos alimentares. Nesse estado, a pessoa pode não querer comer
como também pode possuir um apetite exagerado. Em ambos os casos é necessário o
auxilio de terceiros. No caso do profeta, o anjo do Senhor é quem o auxilia
providenciando-lhe alimento. Ele precisava alimentar-se e Deus fez com que isso
fosse providenciado: “E olhou, e eis que à sua cabeceira estava um pão cozido
sobre as brasas e uma botija de água; e comeu, e bebeu, e tornou a deitar-se” (1
Rs 19.6).
2. Provisão
espiritual.
Elias alimentou-se de pão e água — elementos de
natureza material. Todavia, a forma e o instrumento usado por Deus para fazê-los
chegar até ao profeta eram de natureza espiritual. Como já vimos, o texto
sagrado diz que um anjo do Senhor foi quem providenciou aqueles víveres para o
profeta (1 Rs 19.5,6). Mas não for apenas um anjo que prestou auxilio ao
profeta; o próprio Deus a quem Elias servia o conduziu durante todo o tempo. A
própria ida de Elias ao monte Horebe fez parte dessa terapia. Ali, Elias seria
revitalizado não apenas na sua vida espiritual, mas também na sua vida emocional
(1 Rs 19.8-15).
CONCLUSÃO
Acabamos de observar que os homens de Deus
também têm conflitos. Padecem também dos males comuns a todos os mortais.
Todavia, é perceptível que o servo de Deus
conta com uma forma de auxílio diferenciado — ele não está sozinho neste mundo.
Por isso, não depende apenas dos recursos humanos que são tão limitados. O
Senhor faz-se presente nas horas conflituosas da vida e presta-nos o seu
auxílio. Lemos nos Salmos: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem
presente na angústia” (Sl 46.1).

Nenhum comentário:
Postar um comentário